10/03/14

E Vivam as Tertúlias


Com alguns dias de atraso, deixo aqui o link para a reportagem "Declamar poemas e contar histórias nos recantos de Lisboa" que vale muito a pena ler.

Entretanto, e para consulta rápida dos leitores deste blogue, aqui fica o roteiro, ordenado segundo a periodicidade e com alguns acrescentos da minha lavra.

Poetas do Povo
Povo (Restaurante/Bar)
Rua Nova do Carvalho, 32, Lisboa
Periodicidade: Semanal (segundas-feiras)

Tertúlias Poéticas
Inda a Noite é uma Criança (Bar)
Praça das Flores, 8, Lisboa
Periodicidade: Semanal (quintas-feiras)

Tertúlias – Grupo Freya
Zazou – Bazar & Café
Calçada do Correio Velho, 7, Lisboa
Periodicidade: Semanal (sextas-feiras)
 
Tempestades no Cantarinho
Restaurante Al Cantaro
Rampa das Necessidades, 6, Alcântara, Lisboa
Periodicidade: Mensal (primeira quinta-feira deste mês)
 
Tertúlias às Quintas
Bar do Teatro Rápido
Rua Serpa Pinto, 14, Lisboa
Periodicidade: Mensal
 
Tertúlias – Time Bank
Café 100 Artes
Rua dos Fanqueiros, 162, Lisboa
Periodicidade: Mensal

28/02/14

6 de Março, 20:00, Jantar-Tertúlia no Al Cantaro



Como é certamente do conhecimento de alguns de vós, a Apenas Livros realiza, desde Setembro, um jantar-tertúlia no restaurante Al Cantaro (Rampa das Necessidades, 6, Alcântara, Lisboa), na primeira quinta-feira de cada mês.

O próximo terá lugar no dia 6 de Março (começa às 20 horas) e cabe-me a honra de iniciar a conversa. Falarei sobre teatro e sobre a colecção Teatro no Cordel, dando especial ênfase ao Memórias de Uma Vida para Esquecer e ao As Grandes Dionísias (em co-autoria com a Suzana Branco). Lerei também alguns excertos de textos.

Pela módica quantia de 14 euros, poderão usufruir de uma refeição completa - sopa à lavrador, arroz de pato à antiga, bebidas, sobremesa e café (ou chá de lúcia-lima) - e participar na tertúlia.

Para se inscreverem, deverão fazer a transferência para o NIB que consta do cartaz (0018.0003.2295.6296.0207.7) e enviar um e-mail para apenaslivros2@gmail.com com o nome e o comprovativo de pagamento. Quem preferir uma refeição dietética, deverá indicá-lo no e-mail, especificando também se opta por carne ou peixe.

O prazo de inscrição termina na próxima segunda-feira. Contudo, uma vez que a lotação é limitada, aconselhamos que não adiem a inscrição para o último dia.

Quem vier desfrutará de uma refeição e de uma conversa prazenteiras e poderá ainda adquirir livros da colecção Teatro no Cordel.

16/02/14

The Reading

A few weeks ago, I went to a local library to give back some books. The librarian registered them in the computer, almost mechanically, and then took a second look.

– You read poetry!?

– Yes, I do – I replied, afraid that she might send me to a lab somewhere.

– Pardon my surprise, but only a few of our readers appreciate poetry – she smiled and handed me a brochure - Did you know there’s a poetry reading in our auditorium in ten minutes?

She didn’t have to convince me. I went to a coffee shop, ate a chicken patty, drank a coffee and ten minutes later I was at the auditorium. There were a few people in the audience and a man on the stage thanked our presence and started complaining about today publishers who, according to him, were the wall between his poems and the world and spent their lives fighting new poets and stopping their success.

The audience applauded the speech, the man read some poems of his own and I started to empathize a lot with the publishers who refused his manuscripts. Then he asked if anyone in the audience wanted to read some poems. Nobody replied. He insisted. An early twenties girl got up and went to the stage, with more papers in her hand than a social security employee. I was worried about the number of poems she was going to read, but then I realized she only needed that much paper, because each verse had about fifty exclamation points.

She read her poems and I must confess that I learned a lot. For instance, I learned that a sunset is beautiful and orgasmic. How about a sky full of stars and no clouds, do you know how that is? It’s lovely and orgasmic. How about a garden full of red roses? It’s amazing, outstanding, sublime and orgasmic.

The audience applauded, specially two old ladies who seemed amazed with how easy is finding orgasmic things. “Anyone else wants to read a few poems?” Of course not! Nobody could compete with that girl’s verses. “We still have time”, insisted the man. I was about to suggest there was a good poetry section in the library, but the girl said she had a few more poems in her bag and could read them.

“Oh no, the same stuff again”, I thought. But she surprised me. The adjective “orgasmic” was in every poem, but there was a variation in the number of “as”. Some things were “orgasmic”, others were “orgaaaaaaaaaaaaasmic” and others were “orgaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaasmiiiiiiiiiiiiiiiiiic” (yes, there was also a variation of “is”). Sometimes the poems were so good that the number of repeated vowels matched the number of exclamation points.

Half hour later, the librarian came in and said it was time to go. The girl said she had a few more poems, but the woman insisted that they had to close the library. Once again, she didn’t have to convince me. I was the first to leave the room and I still wonder why I waited that long. Maybe I was too shy to leave. Of course that, before I go out, the librarian told me there would be those kinds of readings every week. I smiled and promised to check my schedule. Then, I caught the bus, went to a bookstore and bought enough poetry books to read during the next five years.

19/01/14

O dia em que me tornei camponês


Em homenagem ao grande músico João Aguardela, que nos deixou há cinco anos, Manuel Halpern decidiu incluir o conto O dia em que me tornei camponês, escrito em Março de 2009, na rubrica Contos para Pulares do programa Indiegente.

Aqui fica então para o Indiegente de 17 de Janeiro, com o conto, lido por mim, mais ou menos aos 35 minutos. O texto pode ser lido aqui e aqui.


16/01/14

10/01/14

Thriller La Fontaine


Talvez só ela soubesse do sucedido.
Era fulcral que só ela soubesse.
Se a descobrissem, estaria tramada.
E se alguém a tivesse visto?
“Sei o que fizeste”, diriam.
“O que fizeste no Inverno passado”.
Mas quem poderia julgá-la?
Aquela cigarra nunca se calava!
No Verão só cantava, nada de trabalhar.
No Inverno só mendigava, nada de cantar.
Era sempre assim!
Já farta, convidou-a para jantar.
Serviu-lhe pão com cogumelos.
Deixou-a estrebuchar.
Enterrou-a no quintal.

(Publicado também aqui e aqui)

A Cigarra, a Formiga (revisitação)


A formiga passava os dias a trabalhar.
A cigarra passava os dias a cantar.
Dias frios.
A cigarra toca à campainha da formiga.
- Vizinha, não há comida na minha casa.
- Trabalhavas para a ganhar?
- Cantava para animar os dias.
A formiga tranca a porta.
Passam vários dias.
A formiga toca à campainha da cigarra.
- Vizinha, não há cantigas na minha casa.
- Não cantas para animar os dias?
O acordo final?
A cigarra vai a casa da formiga.
A formiga dá comida, a cigarra dá cantigas.

(Publicado também aqui)

27/12/13

Carta de uma mãe preocupada



Indiegente é um programa da autoria de Nuno Calado, sobre rock independente e alternativo, que passa na Antena 3 (segunda à sexta entre as 00:00 e a 1:00) e na Antena 3 Rock (segunda à sexta entre as 20:00 e as 21:00).

Contos para Pulares é uma rubrica deste programa que apresenta semanalmente uma "ficção pop". Os contos são da autoria de Manuel Halpern e são lidos por mim próprio.  

Aqui fica a emissão do Indiegente do dia 19 de Dezembro onde, por volta dos 25 minutos, é possível ouvir o conto de Natal carta de uma Mãe Preocupada.

23/11/13

caderno Fantasma Útil



Na próxima quinta-feira 28 de Novembro, às 18 horas, será lançado, na  livraria Pó dos Livros (Avenida Marquês de Tomar, 89, Lisboa), o livro caderno Fantasma Útil de Fernanda Cunha, João Eduardo Ferreira e Pedro Castro Henriques, editado pela Apenas Livros.

Venham descobrir o que têm em comum obras como Crime e Castigo de Fiódor Dostoievski, O Mundo de Ontem de Stefan Zweig, Apuros de um Pessimista em Fuga de Mário de Carvalho e A Máquina de Fazer Espanhóis de Valter Hugo Mãe. Venham descobrir como a política e a literatura se interligam e de que forma a leitura e a escrita podem ser actos políticos.

O evento contará com uma conversa entre os autores do "caderno", a editora Fernanda Frazão e os escritores Mário de Carvalho e Rui Cardoso Martins. Lerei de seguida alguns excertos e terminaremos com um "convívio" entre todos os que comparecerem.

Não haverá transmissões em directo pelo Facebook, embora não se desdenhe a publicação de fotos a posteriori. caderno Fantasma Útil não estará à venda no Pingo Doce nem terá descontos de 50%; ainda assim, este livro, constituído por um ensaio e duas ficções, poderá ser adquirido a um preço bem simpático.

03/11/13

O Guião de Paulo Portas




Quando soube que o governo ia escrever um guião e tal tarefa estava a cargo de Paulo Portas, achei a escolha acertada. Paulo Portas é um cinéfilo com provas dadas, tem experiência a inventar intrigas, domina tão bem a língua portuguesa que até consegue mudar o significado de palavras como "irrevogável" ou "dissimulação" e adapta-se facilmente a funções tão distintas como negociar submarinos ou tirar fotocópias.

Claro que houve atrasos e adiamentos na conclusão desta tarefa, o que provocou alguns protestos por parte de pessoas que não têm noção das dificuldades do guionismo (Robert McKee, professor reputado da arte de escrever histórias, chegou mesmo a afirmar que um guião é mais difícil de escrever do que um romance). Mas Paulo Portas, qual Barton Fink do Palácio das Laranjeiras, lá conseguiu vencer os medos e apresentar o guião ao país.

As críticas não se fizeram esperar. Primeiro de tudo, o guião tem mais de 120 páginas e foi escrito a dois espaços e tamanho 16. Ora, qualquer principiante na arte de escrever guiões sabe que se deve utilizar a fonte Courier, tamanho 12, a espaçamento simples. Além disso, não há estúdio que pegue num guião com mais de 100 páginas e alguns até torcem o nariz aos que ultrapassam as 90. Este problema podia ter sido facilmente ultrapassado se, ao invés de escrever em Word, Paulo Portas tivesse usado o CeltX, que é gratuito e trata logo da formatação sem que o guionista se preocupe com isso.

Mas o conteúdo também apresenta problemas graves: há sequências que se repetem, cenas demasiado longas, diálogos redundantes, o enredo é pobre e inverosímil, a estrutura tem falhas, as ideias são superficiais ou plagiadas e não se percebe bem para onde vão os protagonistas. A bem dizer, só se percebe que a história vai acabar mal e que há mais bandidos do que em toda a saga do Padrinho.

Consta que Alfred Hitchcock dizia que a qualidade do filme se mede pela qualidade do vilão. Neste caso, os vilões são planos, grotescos, ridículos e não fascinam ninguém, mas desconfio que não os esqueceremos tão cedo. É pouco provável que nos matem no duche como o Norman Bates, mas é bem possível que privatizem a água e nos apresentem uma conta astronómica quando sairmos da banheira.

No fundo, em vez de nos ter dado um guião tecnocrata e um discurso aborrecido, Paulo Portas podia ter apresentado um pitch: um bando de indivíduos sem escrúpulos junta-se com a intenção de desmantelar o Estado e distribuir tudo pelos amigos, em troca de um futuro cargo numa parceria público-privada. Conseguirão os lusitanos compreender este plano e agir a tempo de o impedirem?