26/02/24

As Grandes Dionísias no Festival "Teatro Entre Nós"

 


A oitava edição do festival "Teatro Entre Nós" tem início na próxima sexta-feira 1 de março e termina a 17 do mesmo mês. Os espectáculos, com entrada livre, terão lugar no Auditório Carlos Avilez, na Academia de Artes do Estoril.

A peça As Grandes Dionísias, escrita por Firmino Bernardo e Suzana Branco, será apresentada pelo grupo Em Cena, com encenação de Alice Costa.

Outras informações podem ser consultadas aqui.

30/12/23

As Grandes Dionísias: 2023 e 2024



As Grandes Dionísias, texto que escrevi em 2009 com a Suzana Branco para a companhia Smupalenses (foi apresentado em 2010 e editado em 2013 pela Apenas Livros), voltou aos palcos em 2023, apresentado pelo grupo Em Cena, com encenação de Alice Costa, que fizera de taberneiro em 2010 (e também em 2013, no lançamento do livro).

Nesta "nova vida", As Grandes Dionísias foram representadas na sede do Grupo Recreativo e Dramático 1º de Maio de Tires (a 31/03, 22/04 e 6/05). Houve ainda uma apresentação  no Grupo de Solidariedade Musical e Desportiva de Talaíde (em 22/04, no âmbito do festival Abril Teatros Mil, organizado pelo Talaus Teatro).

Assisti à estreia, a 31 de Março, com imenso gosto. Na altura, estava rouco e quase sem voz, o que me impediu de agradecer devidamente à Alice e aos restantes elementos do Em Cena pelo trabalho que tiveram e pela forma como mostraram que as "Dionísias", escritas há uns quantos anos, continuam a divertir e a comover o público (a casa estava cheia, outro motivo de satisfação para todos nós) e a honrar Baco, deus do vinho e do teatro.

À falta de melhor, este pequeno post, escrito meses depois, serve de nota de agradecimento.

Aproveito para informar "a navegação" de que haverá novas "Dionísias" em 2024, novamente pela mão da Alice Costa e do Em Cena. E, como estamos em época de "resoluções de ano novo", aqui fica uma: em 2024 tentarei assistir mais vezes e divulgar atempadamente as apresentações nas redes sociais e neste blogue singelo.

11/05/22

Prémio Literário Dr. João Isabel: 2º Lugar na modalidade texto dramático (teatro)


A Câmara Municipal de Manteigas divulgou a 5 de maio os vencedores da XXIII Edição do Prémio Literário Dr. João Isabel, nas modalidades conto e texto dramático.

Género narrativo (conto):
1.º Lugar – António José da Costa Neves «Distopia em progresso»;
2.º Lugar – Sabrina Domingues Marques «Alva»;
3.º Lugar – Ana Ferreira da Silva «O segredo da Ti’Olinda»

Género dramático (teatro):
1.º Lugar – Paulo Pereira Viegas «Os despojos»;
2.º Lugar – Firmino Miguel Alves Bernardo «O bolo resfolhado»;
3.º Lugar – Duarte Sérgio da Silva Martins «Do ut des»

Os resultados foram também divulgados nos jornais Beira.ptMais Beiras Informação, Jornal A GuardaNotícias do Centro e O Interior.

19/09/21

04/11/20

Fartos de Esperar Godot



No âmbito do Orçamento do Estado para 2021, o Governo anunciou o “Lançamento de um programa de modernização do ensino profissional, incluindo o seu reequipamento e a criação de novas vias de ensino e formação especializada nos setores tecnológico, digital, industrial e agrícola”. Perante tal anúncio, pergunto: como serão contratados os professores nos cursos profissionais “modernos”?

Os contratos temporários são, há décadas, regra na contratação dos professores de técnicas especiais (áreas técnicas e/ou artísticas não abrangidas por grupos de recrutamento) e a situação agravou-se quando, no mandato de Maria de Lurdes Rodrigues, o Ministério da Educação nos mudou o nome para “técnicos especializados”, como se não desempenhássemos funções docentes.

Nós preparamos aulas, damos aulas, apoiamos alunos, avaliamos, participamos em reuniões, trabalhamos em equipa com outros docentes, vigiamos exames, por vezes até somos directores de turma ou de curso, acompanhamos Provas de Aptidão Profissional e Formação em Contexto de Trabalho, somos avaliados como os outros docentes (até estamos sujeitos a quotas), a nossa remuneração é calculada com base na carreira docente (só que o índice 151 é o máximo a que podemos almejar), mas não fomos abrangidos pelas vinculações extraordinárias de professores nem pela chamada norma-travão. Restou-nos a possibilidade de nos candidatarmos ao PREVPAP, em 2017.

As respostas foram chegando (não para todos) em Outubro ou Novembro de 2019 e, na maioria dos casos, confirmava que as nossas funções correspondem a necessidades permanentes e que o vínculo contratual era inadequado, pelo que teria de haver concurso para o regularizar.

Em Janeiro de 2020, uma notícia do Público referia que os “Formadores dos cursos profissionais vão ter concurso próprio para entrar na carreira”, ao abrigo do PREVPAP . Estamos quase em Novembro, não se sabe absolutamente nada sobre o “concurso próprio” e, sobre o PREVPAP, apenas se sabe que o Governo identificou o culpado dos atrasos: o SARS-CoV-2.

Por aqui se vê que há muitas formas de reagir a pandemias. Os professores, por exemplo, adaptaram-se a novas formas de ensino. O Governo arranjou um bode expiatório para os atrasos do PREVPAP.

Meus senhores, estamos fartos de esperar Godot.  Ponham os olhos na vinculação extraordinária do Ensino Artístico de 2018, façam os ajustes necessários para cumprirem a vinculação dos “técnicos especializados para formação” que se candidataram ao PREVPAP e criem mecanismos para resolver a situação precária daqueles que não puderam candidatar-se a este programa. 

Já agora, cumpram a Resolução da Assembleia da República n.º 37/2018, que «Recomenda ao Governo que valorize e dignifique os técnicos especializados das escolas públicas, promovendo a sua contratação efetiva e combatendo a respetiva precariedade».

Uma das razões frequentemente apontadas para a falta de professores é o baixo salário inicial. Mas poucos dizem que, em muitos casos, o “início” tem tendência a prolongar-se durante anos, para não dizer décadas. Acabe com este estado de coisas, senhor Primeiro-Ministro. E aí, sim, poderá falar, com propriedade, em modernização!

29/09/20

Teremos Sempre Tebas

Teremos Sempre Tebas  de Firmino Bernardo 
 Editora: Edições Húmus
Colecção: 12catorze (vol. 7)
Ano de publicação: 2020
Preço: 3,00 € 

Édipo Um rei honesto não esconde nada ao seu povo.
Creonte Isso quer dizer que vamos lá para dentro?
Édipo Fala diante deles. Não tenho nada a esconder.

Pontos de venda: 100ª Página, Almedina, Bertrand, Braço de Prata, Colibri, Flanêur, Férin, Leya Chiado, Linha de Sombra, Poesia Incompleta, Poetria, Snob, Tigre de Papel, Unicepe, Wook.

O livro também pode ser adquirido directamente na editora (angela@humus.com.pt). O volume 7 da colecção 12catorze contém ainda os livros Rotinismo e figos maduros II, de Sandra Gonçalves, e Nunca estiveste aqui, de Helder Magalhães.

20/12/19

Eça



Quando vejo malta a partilhar textos do Eça de Queiroz sobre a Assembleia da República, lembro-me logo daquele poema do Eugénio de Andrade sobre o Whatsapp.

01/08/19

Levar à Letra

A propósito da actualidade política, partilho um excerto do meu "Teremos Sempre Tebas" (que já tem há uns anos).

CORO: Senhor, tens de aplicar as tuas palavras a ti próprio.

ÉDIPO: Quais palavras?

CORIFEU: Disseste que o assassino tinha de ser castigado sem piedade e…

ÉDIPO: Isso são maneiras de dizer. Não são para levar à letra.

29/07/19

Jornal de Leiria: Almanaque


O jornalista Jacinto Silva Duro fez-me umas perguntas para a secção "Almanaque" do Jornal de Leiria. As respostas saíram na edição de 18 de Julho.


Se acontecesse um cataclismo e só pudesse salvar três músicas quais seriam?
Faria uma lista de 50 (já seria difícil) e depois tirava à sorte.

Está no baile da aldeia e dá-lhe uma vontade repentina de dançar. Quem convidaria para seu par?
A Uma Thurman.

Que remédio usa para baixar a tensão? (viagem, dança, passear o cão, cinema, cozinhar, dar milho aos pombos, outras)?
Cinema, teatro, ler, escrever, ouvir música, cozinhar, fazer festas aos gatos, ir à praia, passear pela cidade, etc. Mas creio que o melhor remédio seria poder reduzir as tarefas que aumentam a tensão. Somos uma sociedade altamente competitiva, andamos sempre a correr para todo o lado, a querer fazer tudo ao mesmo tempo, a consumir mais do que precisamos, a responder a e-mails de trabalho ao fim de semana e depois vamos fazer yoga. Não seria mais prático reduzir o ritmo e competirmos menos uns com os outros?

Qual o roteiro para um dia perfeito?
Um dia em que pudesse fazer o que me apetecesse, sem chatices nem preocupações.

Vai ter um jantar romântico à luz das velas. Que ementa prepara?
Peixe no forno com batatinha assada e um bom vinho a acompanhar.

O que faria se acordasse milionário?
Ajudava a família, viajava como se não houvesse amanhã e abria uma editora/produtora de teatro e  cinema.

Que personagem do cinema gostaria de ter sido?
O Rick do “Casablanca” ou o Indiana Jones (se fizermos de conta que o quarto filme nunca existiu), nem que seja pela quantidade de talentos de tal personagem.

E para contracenar consigo?
Se é para sonhar salto, escolheria os grandes como a Meryl Streep ou o Anthony Hopkins.

A justiça foi injusta, o tribunal enganou-se e vai ter de estar em prisão domiciliária durante um ano. Três objectos indispensáveis...
Um computador com acesso à Internet, um telemóvel (para falar com o meu advogado e para encomendar os bens essenciais) e uma boa biblioteca.

Se, por acaso, algum dia morrer, como gostaria de ser recordado?
Como alguém que viveu quase até aos 100 anos, com saúde, lucidez e qualidade de vida. E como alguém que demonstrou que é possível alcançarmos os nossos objectivos sem passarmos a perna a ninguém.

O sonho que comanda a vida é...
Aquele que torna o mundo melhor, nem que seja só um bocadinho.
.
I'll be back! De onde é que sai com esta frase mítica?
Entre as frases míticas do cinema, saio-me mais com “I’m having a friend for dinner”. Claro que não a uso no mesmo sentido que o Hannibal Lecter.

Vai para Tenerife assistir a uma demonstração de colchões, mas decide desviar o avião. Para onde?
Nova Iorque ou Barcelona.

Quer impressionar alguém, que história, baseada em factos verídicos, conta?
Contaria que já fui candidato a presidente da República.

Se tivesse de passar seis meses numa ilha deserta, quais seriam os três livros que levaria?
O Quixote, o Tristram Shandy e o “Guerra e Paz”.

Em criança, quando fosse grande, gostaria de ser...
Actor, escritor, apresentador de televisão, professor, detective, cientista louco, astronauta, eu sei lá.

Passa pela quermesse da Christie’s e tira uma rifa, que obra de arte gostaria que lhe calhasse?
Podia ser O Nascimento de Vénus do Botticelli.

12/07/19

Plano Nacional das Artes Simplex

"Público", 2.07.19

Tenho visto muitos defensores da Educação Artística festejar o Plano Nacional das Artes apresentado recentemente pelos ministérios da Educação e da Cultura. Perdoem-me o cepticismo, mas antes de abrir o champanhe, devíamos (re)ler este excerto do Decreto-Lei n.º 344/90, que estipula as Bases Gerais da Educação Artística: «a sua resolução passa pela reestruturação global e completa de todo o sistema, iniciando-se por aí a construção gradual de um novo sistema articulado, que contemplará todas as modalidades consideradas neste domínio, a saber: música, dança, teatro, cinema, audiovisual e artes plásticas».

Quase trinta anos depois deste DL está praticamente tudo por fazer. No 1º ciclo a Educação Artística tem 4 áreas obrigatórias (Artes Visuais, Expressão Dramática/Teatro, Dança e Música), no 2º ciclo tem apenas duas (Educação Visual e Educação Musical) e, no 3º ciclo, apenas uma (Educação Visual).

No 2º ciclo e no 3º as escolas podem criar outras disciplinas artísticas, mas “privilegiando os recursos humanos disponíveis”. Tal limitação, em áreas como Teatro ou Dança, que não têm grupo de recrutamento nem professores no quadro, leva uma boa parte das escolas a não abrir estas disciplinas e outras a atribuir os horários a “curiosos” sem formação, apesar de, só em Teatro, existirem 21 licenciaturas.

No Ensino Secundário foi recentemente criada a opção de Teatro, mas limitada ao 12º ano (a extinta Oficina de Expressão Dramática existia nos 3 anos), sem que saibamos em que moldes funcionará. Também há disciplinas ligadas a esta área em cursos profissionais e em cursos do Ensino Artístico Especializado.

Curiosa e ironicamente, em matéria de Teatro na Escola, o Ministério da Educação pinta um cenário pior do que a realidade. Leia-se o Ofício n.º 595/2019, assinado pela chefe de gabinete do Ministro da Educação, que diz ter havido, em 2018/19, apenas 8 pedidos de horários para “a disciplina” de Teatro. Tal afirmação, mais absurda que o teatro de Ionesco, apenas confirma o desconhecimento da realidade por parte de quem vive em gabinetes.

Não há assim tão poucos professores de Teatro nas escolas. Devia haver mais, mas não há assim tão poucos. A tutela é que não lhes reconhece a existência nem a formação, não sabe que disciplinas leccionam nem que trabalhos desenvolvem, não os integra na carreira docente e nada fez para combater o recurso abusivo à contratação anual sucessiva.

Se quisesse mesmo um Plano Nacional das Artes, o Ministério da Educação teria convidado os professores das áreas artísticas a apresentar sugestões. Mas não o fez. O único contacto feito à Associação de Professores de Teatro-Educação foi um convite para assistir à apresentação do PNA, através de um e-mail enviado na véspera, com a data errada (talvez faça falta um PNEE – Plano Nacional para Enviar E-mails). Mas ainda bem que não estivemos presentes no evento, pois falta-nos paciência para apresentações de “novidades” que já existem.

Sim, já existem visitas de estudo a museus e teatros. Sim, há muito que as escolas acolhem artistas. Até há, imagine-se, artistas que dão aulas de artes. E também existe formação superior nas várias artes, que o Ministério da Educação deveria respeitar e que nenhuma Academia PNA poderá substituir.

Querem um Plano Nacional das Artes? Fomentem a existência de diferentes expressões artísticas nas escolas, dêem-lhes a mesma importância que têm as outras áreas disciplinares, dotem as escolas das condições necessárias, respeitem os professores das artes e integrem-nos na carreira docente (a Petição Nº 598/XIII/4ª, em análise na Assembleia da República, constitui uma oportunidade para resolver o assunto). Quando isto estiver feito, estarão – aí, sim – lançadas as bases para um Plano Nacional das Artes.