24/03/13

As Grandes Dionísias Regressam


Entre Abril e Julho de 2010 a Companhia de Teatro da SMUP levou à cena a peça «As Grandes Dionísias», com cenografia de Bárbara Reis e interpretação de Alice Costa, Alexandra de Matos, Cristina Guerreiro, Cristóvão Santos, Fátima Calás, Helena Fernandes, João Azevedo, Manuel Jerónimo, Miguel Lourenço, Mónica Saraiva e Sofia Magalhães. O texto, inspirado em Eurípides, foi escrito por mim e pela Suzana Branco, que também encenou o espectáculo. 

Quase três anos depois As Grandes Dionísias regressam numa edição da Apenas Livros (um especial obrigado à Fernanda Frazão, à Carina Bernardo e ao Luís Filipe Coelho). Dentro de alguns dias daremos a conhecer a capa, ilustrada por Telmo Lopes, bem como os pormenores do lançamento, que ocorrerá no dia 13 de Abril (sábado) por volta das 15:30 no bar da Comuna, Teatro de Pesquisa.

22/02/13

Folhinha Poética 2013



Amanhã, dia 23 de Fevereiro a partir das 18:30, a Folhinha Poética (agenda com poemas iniciada em 2012) será apresentada no café Madeira Pura (Rua Terreiro do Trigo, nº 72/74, Alfama, Lisboa), com leituras de poemas por parte de todos os que o desejarem.

A Folhinha Poética está publicada na Internet e pode ser descarregada aqui. Para quem o desejar, é possível adquirir a edição em papel por cinco euros durante o sarau de amanhã.

Estão todos convidados a ler o poema que publicaram na Folhinha e/ou outros. As leituras serão gravadas e posteriormente publicadas no blogue do projecto.

A entrada é gratuita.

08/01/13

Come Back


You grew up in a wise uterus
And were born already mature
With your spear and your helmet
But you conquered your power
With sapience and words

With your help Ulysses survived
The thunder, the trident and the swords
Then he embraced the faithful Penelope
And when a new war was arising
You came and imposed Peace

Your nudity blinds
Your hymen is sacred
But once you tied up the sun
To let two lovers sense
The lust of the night

Agamemnon sacrificed his own seed
Clytemnestra fulfilled Cassandra’s prophecy
Orestes drilled the chest that fed him
And was pursuit by his hands’ stain

You came and decided it was time to stop
And taught Democracy and Law
We didn’t learn how much as we should
And what we learned is almost forgotten

Laws are now created by money and weapons
Men adore Ares and the pursuit of gold
Descend from the Olympus, Brave Athena,
And teach us Democracy again

27/11/12

Lançamento de «Contos Adventícios» de João Eduardo Ferreira




Por altura da edição pela Apenas Livros de «Contos Adventícios» de João Eduardo Ferreira, estão convidados a participar numa conversa com Mário de Carvalho, Pedro Castro Henriques e Manuel Halpern, seguida de uma leitura de excertos do livro por Firmino Bernardo. 

 Quinta-feira, dia 29 de Novembro, pelas 18h00, na livraria Pó dos Livros, Rua Marquês de Tomar 89, em Lisboa (junto à igreja de N. Sr.ª de Fátima).

18/11/12

Os Estagiários


Poucas coisas são tão úteis a uma instituição como um estagiário. Primeiro, porque trabalha a troco de (quase) nada. Segundo, porque desempenha como ninguém a função de bode expiatório. Numa instituição onde haja estagiários ou jovens, os mais velhos, mais sábios e mais experientes podem fazer as borradas que quiserem, porque já se sabe sobre quem recairão as culpas. Isto vê-se, sobretudo, nos comentários a notícias de jornais. A notícia foi mal redigida, os factos não foram todos verificados, há erros gramaticais? Está bom de ver: desde que entregaram certas tarefas a estagiários, o jornal nunca mais foi o mesmo. O que mais me irrita nestes juízos é ver que são feitos sem conhecimento de causa. Sim, é bem possível que a culpa seja de um estagiário. Mas também é possível que não o seja. Contudo, a última hipótese raramente é levantada. Para todas as pessoas que fazem julgamentos precipitados, só me resta receitar (e recitar) as sábias palavras que o jovem Hamlet disse ao amigo Horácio: há mais coisas no céu e na terra do que sonha a vossa vã filosofia!

16/11/12

El-Rei D. Dinis na Casa de Mateus


- Ai flores, ai flores, do verde pino,
se sabedes novas do prémio antigo?
           Ai Deus, e u é?

Ai flores, ai flores, do verde ramo,
se sabedes novas do prémio desapoiado?
           Ai Deus, e u é?

Se sabedes novas do prémio antigo,
aquele a que o governo quis dar castigo?
           Ai Deus, e u é?

Se sabedes novas do prémio desapoiado,
aquele que o governo quer ver cancelado?
           Ai Deus, e u é?

- Vós me preguntades pelo prémio antigo
e eu bem vos digo que continuará vivo.
           Ai Deus, e u é?

Vós me preguntades pelo próprio desapoiado
e eu bem vos digo que será continuado.
           Ai Deus, e u é?

E eu bem vos digo que continuará vivo
e será entregue ante o prazo saído.
           Ai Deus, e u é?

E eu bem vos digo que será continuado
e será recebido no prazo acordado.
           Ai, Deus, e u é?

(Publicado também na Escrita Criativa nº 29)

07/10/12

Os Burocratas


Os burocratas fecham-se em gabinetes
Os burocratas nunca olham pela janela
Os burocratas estudam papéis e julgam conhecer o mundo
Os burocratas inventam teorias de gabinete
Os burocratas discutem os arquivos
Os burocratas discutem leis inventam leis passam-nas para o papel
Os burocratas mudam o mundo que não conhecem
E de vez em quando mudam também a disposição dos móveis

(Publicado também na Escrita Criativa nº 28)

27/04/12

Folhinha Poética

Se houve quem dissesse que o mundo acabaria em 2012, houve quem respondesse que o melhor era acabá-lo em poesia. Inspirado nos poemários da Assírio & Alvim, Jorge Amaral de Oliveira lançou mãos à obra e criou uma agenda que junta poemas escritos em várias línguas (português, mirandês, castelhano, francês, crioulo, inglês, grego antigo, etc.), uns da autoria de ilustres desconhecidos, outros de poetas consagrados.

Chegada finalmente a Portugal, a edição em papel da Folhinha Poética será lançada no próximo domingo 29 de Abril de 2012, pelas 18 horas, na livraria Fabula Urbis (Rua de Augusto Rosa, 27, Lisboa). Haverá um pequeno sarau e uma recolha de poemas para a agenda de 2013 (o mundo não acabará este ano e a poesia também não).

Venham ler um poema, cantar, tocar ou dançar! A entrada é livre.

05/04/12

Dia Mundial do Teatro


27 de Março de 2012. Frente ao Teatro D. Maria II vários agentes observam a entrada, em modo de alerta. Terão ouvido dizer que o teatro é uma arte subversiva e levado a expressão à letra? Irão prender todos os espectadores, como acontece no final do «Pai Tirano»? Não nos dava jeito nenhum, que já temos coisas marcadas para amanhã.

Aproximamo-nos. Um agente comenta: «ele já entrou». Estarão a perseguir alguém? Entramos, ansiosos por saber quem é o criminoso que eles procuram. Pedro Passos Coelho fala com alguns funcionários do teatro, ao lado da esposa, que faz questão de olhar para toda a gente que entra. Afinal, os agentes estão apenas preocupados com a eventualidade de uma manifestação espontânea e devem ter recebido uma remessa de bastões por estrear.

Os receios são infundados, já que os espectadores fazem questão de se afastarem do Primeiro-Ministro, que parece estar mais para ser visto do que para ver. Terá sido um convite institucional para assinalar o Dia Mundial do Teatro? Espero bem que não, que não estou com paciência para ouvir discursos.

Entramos na sala. Sentamo-nos na penúltima fila. Passos Coelho e a mulher sentam-se mais à frente. Ao lado dele, senta-se Assunção Esteves, presidente da Assembleia da República. Na mesma fila, mas mais afastados, estão Francisco José Viegas e João Mota. Afinal, parece mesmo uma ida oficial ao Dia Mundial do Teatro, razão pela qual estranho a ausência de Nuno Crato, que tanto tem trabalhado em equipa com Francisco José Viegas.

Sim, têm trabalhado em equipa! Graças ao Viegas, os desempregados vão ter borlas nos museus e descontos nos teatros. Graças ao Crato, haverá mais professores desempregados. Ora, se isto não é trabalho em equipa, não sei o que será. Graças a estes esforços conjuntos, daqui a uns meses vamos ter professores tão cultos, mas tão cultos, que só Deus sabe o que ensinariam aos alunos se os tivessem. De resto, se o desemprego já é transversal a todas as áreas profissionais, a cultura sê-lo-á também. Há gente em Bruxelas surpreendida com o número de desempregados em Portugal; imagino como ficarão daqui a uns meses, quando virem os números das frequências dos museus e dos teatros.

O que terá levado Nuno Crato a faltar ao teatro? Estará a pensar em mais formas de destruir a Educação Artística? Não, que isso já está praticamente feito e demonstrado no documento da Reestruturação Curricular publicado no dia anterior! É pena ele não estar ali. Podia aproveitar o intervalo para ir ao palco explicar o que entende por «disciplinas fundamentais», conceito que me faz lembrar a minha infância.

Quando andava na Primária, tive uma professora que lia histórias e poemas nas aulas e que de vez em quando nos punha a pintar, a cantar e a fazer fantoches ou pequenas dramatizações. Quando isso acontecia, era visitada por alguns pais que, de dedo em riste, a intimavam a ensinar “só o que faz falta”. Quase trinta anos depois temos finalmente um ministro da Educação ao nível dos analfabetos dos anos 80. É um bocadinho mais refinado que eles, mas não se pode ter tudo!

A peça começa. Trata-se de a «A Morte de Danton», peça histórica da autoria de Georg Büchner. O espectáculo é denso, mas provoca gargalhadas imprevistas nos momentos em que se fala em guilhotinar os traidores à Pátria. As “elites” presentes vêem-no com atenção e até me parece ver o Primeiro-Ministro tirar apontamentos quando uma personagem diz que a prostituição é uma forma de trabalho e de combate à pobreza.

Terminada a peça, o público aplaude e o encenador Jorge Silva Melo sobe ao palco, lê a Mensagem do Dia Mundial do Teatro, com a entoação que esta merece, e sai do palco, sem uma única referência às sumidades presentes.

O público começa a levantar-se. Felizmente não teremos de ouvir nenhum discurso político. Olho uma última vez para Passos Coelho. Vai radiante, o que não é para menos. Dizem que o homem dedica meia hora por semana à Cultura. A peça durou mais de três horas e, com o tempo das despedidas oficiais e do regresso a Massamá, ter-lhe-á dedicado mais de quatro. Já tem o trabalho despachado para os próximos dois meses!