Não sejas Miguel Sousa Tavares
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19/09/21
04/11/20
Fartos de Esperar Godot
No âmbito do Orçamento do Estado para 2021, o Governo anunciou o “Lançamento de um programa de modernização do ensino profissional, incluindo o seu reequipamento e a criação de novas vias de ensino e formação especializada nos setores tecnológico, digital, industrial e agrícola”. Perante tal anúncio, pergunto: como serão contratados os professores nos cursos profissionais “modernos”?
Os contratos temporários são, há décadas, regra na contratação dos professores de técnicas especiais (áreas técnicas e/ou artísticas não abrangidas por grupos de recrutamento) e a situação agravou-se quando, no mandato de Maria de Lurdes Rodrigues, o Ministério da Educação nos mudou o nome para “técnicos especializados”, como se não desempenhássemos funções docentes.
Nós preparamos aulas, damos aulas, apoiamos alunos, avaliamos, participamos em reuniões, trabalhamos em equipa com outros docentes, vigiamos exames, por vezes até somos directores de turma ou de curso, acompanhamos Provas de Aptidão Profissional e Formação em Contexto de Trabalho, somos avaliados como os outros docentes (até estamos sujeitos a quotas), a nossa remuneração é calculada com base na carreira docente (só que o índice 151 é o máximo a que podemos almejar), mas não fomos abrangidos pelas vinculações extraordinárias de professores nem pela chamada norma-travão. Restou-nos a possibilidade de nos candidatarmos ao PREVPAP, em 2017.
As respostas foram chegando (não para todos) em Outubro ou Novembro de 2019 e, na maioria dos casos, confirmava que as nossas funções correspondem a necessidades permanentes e que o vínculo contratual era inadequado, pelo que teria de haver concurso para o regularizar.
Em Janeiro de 2020, uma notícia do Público referia que os “Formadores dos cursos profissionais vão ter concurso próprio para entrar na carreira”, ao abrigo do PREVPAP . Estamos quase em Novembro, não se sabe absolutamente nada sobre o “concurso próprio” e, sobre o PREVPAP, apenas se sabe que o Governo identificou o culpado dos atrasos: o SARS-CoV-2.
Por aqui se vê que há muitas formas de reagir a pandemias. Os professores, por exemplo, adaptaram-se a novas formas de ensino. O Governo arranjou um bode expiatório para os atrasos do PREVPAP.
Meus senhores, estamos fartos de esperar Godot. Ponham os olhos na vinculação extraordinária do Ensino Artístico de 2018, façam os ajustes necessários para cumprirem a vinculação dos “técnicos especializados para formação” que se candidataram ao PREVPAP e criem mecanismos para resolver a situação precária daqueles que não puderam candidatar-se a este programa.
Já agora, cumpram a Resolução da Assembleia da República n.º 37/2018, que «Recomenda ao Governo que valorize e dignifique os técnicos especializados das escolas públicas, promovendo a sua contratação efetiva e combatendo a respetiva precariedade».
Uma das razões frequentemente apontadas para a falta de professores é o baixo salário inicial. Mas poucos dizem que, em muitos casos, o “início” tem tendência a prolongar-se durante anos, para não dizer décadas. Acabe com este estado de coisas, senhor Primeiro-Ministro. E aí, sim, poderá falar, com propriedade, em modernização!
29/09/20
Teremos Sempre Tebas
Ano de publicação: 2020
Preço: 3,00 €
Preço: 3,00 €
Édipo Um rei honesto não esconde nada ao seu povo.
Creonte Isso quer dizer que vamos lá para dentro?
Édipo Fala diante deles. Não tenho nada a esconder.
Pontos de venda: 100ª Página, Almedina, Bertrand, Braço de Prata, Colibri, Flanêur, Férin, Leya Chiado, Linha de Sombra, Poesia Incompleta, Poetria, Snob, Tigre de Papel, Unicepe, Wook.
O livro também pode ser adquirido directamente na editora (angela@humus.com.pt). O volume 7 da colecção 12catorze contém ainda os livros Rotinismo e figos maduros II, de Sandra Gonçalves, e Nunca estiveste aqui, de Helder Magalhães.
20/12/19
Eça
Quando vejo malta a partilhar textos do Eça de Queiroz sobre a Assembleia da República, lembro-me logo daquele poema do Eugénio de Andrade sobre o Whatsapp.
01/08/19
Levar à Letra
A propósito da actualidade política, partilho um excerto do meu "Teremos Sempre Tebas" (que já tem há uns anos).
CORO: Senhor, tens de aplicar as tuas palavras a ti próprio.
ÉDIPO: Quais palavras?
CORIFEU: Disseste que o assassino tinha de ser castigado sem piedade e…
ÉDIPO: Isso são maneiras de dizer. Não são para levar à letra.
12/07/19
Plano Nacional das Artes Simplex
"Público", 2.07.19
Tenho visto muitos defensores da Educação Artística festejar o Plano Nacional das Artes apresentado recentemente pelos ministérios da Educação e da Cultura. Perdoem-me o cepticismo, mas antes de abrir o champanhe, devíamos (re)ler este excerto do Decreto-Lei n.º 344/90, que estipula as Bases Gerais da Educação Artística: «a sua resolução passa pela reestruturação global e completa de todo o sistema, iniciando-se por aí a construção gradual de um novo sistema articulado, que contemplará todas as modalidades consideradas neste domínio, a saber: música, dança, teatro, cinema, audiovisual e artes plásticas».
Quase trinta anos depois deste DL está praticamente tudo por fazer. No 1º ciclo a Educação Artística tem 4 áreas obrigatórias (Artes Visuais, Expressão Dramática/Teatro, Dança e Música), no 2º ciclo tem apenas duas (Educação Visual e Educação Musical) e, no 3º ciclo, apenas uma (Educação Visual).
No 2º ciclo e no 3º as escolas podem criar outras disciplinas artísticas, mas “privilegiando os recursos humanos disponíveis”. Tal limitação, em áreas como Teatro ou Dança, que não têm grupo de recrutamento nem professores no quadro, leva uma boa parte das escolas a não abrir estas disciplinas e outras a atribuir os horários a “curiosos” sem formação, apesar de, só em Teatro, existirem 21 licenciaturas.
No Ensino Secundário foi recentemente criada a opção de Teatro, mas limitada ao 12º ano (a extinta Oficina de Expressão Dramática existia nos 3 anos), sem que saibamos em que moldes funcionará. Também há disciplinas ligadas a esta área em cursos profissionais e em cursos do Ensino Artístico Especializado.
Curiosa e ironicamente, em matéria de Teatro na Escola, o Ministério da Educação pinta um cenário pior do que a realidade. Leia-se o Ofício n.º 595/2019, assinado pela chefe de gabinete do Ministro da Educação, que diz ter havido, em 2018/19, apenas 8 pedidos de horários para “a disciplina” de Teatro. Tal afirmação, mais absurda que o teatro de Ionesco, apenas confirma o desconhecimento da realidade por parte de quem vive em gabinetes.
Não há assim tão poucos professores de Teatro nas escolas. Devia haver mais, mas não há assim tão poucos. A tutela é que não lhes reconhece a existência nem a formação, não sabe que disciplinas leccionam nem que trabalhos desenvolvem, não os integra na carreira docente e nada fez para combater o recurso abusivo à contratação anual sucessiva.
Se quisesse mesmo um Plano Nacional das Artes, o Ministério da Educação teria convidado os professores das áreas artísticas a apresentar sugestões. Mas não o fez. O único contacto feito à Associação de Professores de Teatro-Educação foi um convite para assistir à apresentação do PNA, através de um e-mail enviado na véspera, com a data errada (talvez faça falta um PNEE – Plano Nacional para Enviar E-mails). Mas ainda bem que não estivemos presentes no evento, pois falta-nos paciência para apresentações de “novidades” que já existem.
Sim, já existem visitas de estudo a museus e teatros. Sim, há muito que as escolas acolhem artistas. Até há, imagine-se, artistas que dão aulas de artes. E também existe formação superior nas várias artes, que o Ministério da Educação deveria respeitar e que nenhuma Academia PNA poderá substituir.
Querem um Plano Nacional das Artes? Fomentem a existência de diferentes expressões artísticas nas escolas, dêem-lhes a mesma importância que têm as outras áreas disciplinares, dotem as escolas das condições necessárias, respeitem os professores das artes e integrem-nos na carreira docente (a Petição Nº 598/XIII/4ª, em análise na Assembleia da República, constitui uma oportunidade para resolver o assunto). Quando isto estiver feito, estarão – aí, sim – lançadas as bases para um Plano Nacional das Artes.
03/12/18
«Vinte anos, cinco meses e dez dias»
Artigo sobre a importância do Grupo de Recrutamento de Teatro, com o título «Vinte anos, cinco meses e dez dias», publicado no jornal Público a 26 de Julho de 2018.
31/07/18
"Deniç i l Paije"
Texto escrito em mirandês, a partir de um conto popular, publicado na Fuolha Mirandesa do Jornal Nordeste em 10 de Julho de 2018.
por Firmino Bernardo
Escritos,
Folha Mirandesa,
Jornais,
Mirandês
23/04/18
Chiado
Às vezes pergunto-me: se a Chiado Editora existisse no tempo do Fernando Pessoa e ele quisesse publicar lá uns versos, quanto teria de pagar por cada heterónimo?
24/09/17
05/12/16
Vinte anos
Como se não bastasse iniciar as negociações com quase 2 meses de atraso,
o Ministério da Educação acha que só deve vincular os contratados com
7300 dias de serviço. Em menos tempo que isso foi o Ulisses à guerra e
veio.
09/10/16
04/06/16
Teatro e Expressão Dramática no Sistema de Ensino
01/10/15
Crucifixo
à noite
ela desfila com o catecismo
e contornos que apelam ao pecado
apetece tocar-lhe no crucifixo
e saltar do trapézio
para lugares genuínos
(publicado na revista entre letras no primeiro semestre de 2006; versão mirandesa aqui)
11/01/15
Crato e os Ais
O Crato só deseja
Disciplinas fundamentais
Disciplinas essenciais
Disciplinas centrais
A cabeça do Crato
Nunca dará para mais.
(Inspirado pela releitura disto.)
Disciplinas fundamentais
Disciplinas essenciais
Disciplinas centrais
A cabeça do Crato
Nunca dará para mais.
(Inspirado pela releitura disto.)
18/06/14
Autores e Autógrafos
Uma
das atracções das feiras do livro é a presença de autores disponíveis para
conversar e assinar livros. Para quem não está habituado a estas lides, deixo
um estudo sucinto, embora imprescindível, sobre os vários tipos de autores que aí
podemos encontrar, classificados pela atitude e pelo grau de popularidade.
1. Os que têm um ego enorme.
Endeusados pelo público e pela crítica, contam com alguns prémios literários, embora
achem que mereciam mais. Nunca sorriem e costumam insultar os leitores masoquistas
que não desistem de lhes pedir autógrafos.
Alguns dos insultos mais comuns: “venho para aqui promover o meu último livro e você compra o penúltimo, só porque é mais barato?”; “que raio de nome é esse, os seus pais não gostavam de si?”; “quem é você para me dar lições de pontuação?”.
Vá-se lá saber porquê, estes autores raramente se encontram acompanhados pelos respectivos editores, que costumam fazer-se substituir por assistentes estagiários.
Alguns dos insultos mais comuns: “venho para aqui promover o meu último livro e você compra o penúltimo, só porque é mais barato?”; “que raio de nome é esse, os seus pais não gostavam de si?”; “quem é você para me dar lições de pontuação?”.
Vá-se lá saber porquê, estes autores raramente se encontram acompanhados pelos respectivos editores, que costumam fazer-se substituir por assistentes estagiários.
2. Os verdadeiros feirantes.
Geralmente acarinhados pelo público e pela crítica, estão
sempre bem-dispostos e gostam de apregoar os títulos dos livros deles e os
respectivos descontos.
3. Os introvertidos afáveis.
Sorriem cordialmente quando os leitores os abordam, mas falam pouco e num
volume baixo.
4. Os solitários entediados.
Passam tardes inteiras sem que um único leitor se aproxime. Costumam ser
colocados ao lado de autores populares com filas intermináveis, o que lhes
permitiu desenvolver uma enorme capacidade de resistência à frustração.
5. Os “vanity victims”.
Pagaram uma boa quantia para publicarem numa editora que publica qualquer um e outra
pela oportunidade de irem assinar livros. É possível que alguns se disponham a
pagar a quem lhes peça autógrafos.
Terminada esta divisão, podemos ainda categorizar os autores pelo tipo de autógrafos que assinam.
1. Os repentistas.
Improvisam rapidamente jogos de palavras a partir do nome ou das
características dos leitores. Pelo menos, até se cansarem e começarem a
escrever o mesmo a todos.
2. Os astrólogos.
Fingem escrever uma dedicatória a partir das características daquele leitor
específico, mas no fundo escrevem mensagens que se aplicariam a milhares de
pessoas diferentes.
3. Os despachados.
Limitam-se a escrever generalidades como “beijos”, “abraços”, “cumprimentos” ou
“volte sempre”.
4. Os esquecidos.
É preciso dizer-lhes o nome cinco vezes e acabam por se enganar ao escrevê-lo
na dedicatória.
5. Os inseguros.
Pedem sempre desculpa pela dedicatória: “ai que rimei sem querer”, “ai que escrevi
uma redundância”, “ai que ninguém percebe a minha caligrafia”. Proponho que
estes autores passem a ser acompanhados por uma equipa de apoio e que se adopte
o seguinte processo: o leitor compra o livro, o autor escreve a dedicatória num
guardanapo, o editor dá-lhe umas dicas para a melhorar, o autor procede às
alterações necessárias para satisfazer o editor, o revisor elimina as eventuais
gralhas, o designer amanuense passa a dedicatória para o livro com uma
caligrafia impecável e, finalmente, o RP devolve o livro ao leitor, que se vai
embora satisfeito.
22/04/14
Excerto de «As Grandes Dionísias»
TIRÉSIAS 2
Tens uma língua fluente, mas não há bom senso nas tuas palavras. Esse novo deus alcançará uma grandeza que sou incapaz de descrever. É que há duas coisas, ó jovem, que ocupam o primeiro lugar entre os homens: a deusa Deméter, que é a Terra e que alimenta os homens; e o deus Baco, que inventou o licor dos cachos, que faz esquecer os males do dia-a-dia. É ele que, sendo deus, é oferecido em libação aos deuses. E também é profeta, porque o transe e o delírio têm grandes poderes divinatórios.
TABERNEIRO
Ámen!
Tens uma língua fluente, mas não há bom senso nas tuas palavras. Esse novo deus alcançará uma grandeza que sou incapaz de descrever. É que há duas coisas, ó jovem, que ocupam o primeiro lugar entre os homens: a deusa Deméter, que é a Terra e que alimenta os homens; e o deus Baco, que inventou o licor dos cachos, que faz esquecer os males do dia-a-dia. É ele que, sendo deus, é oferecido em libação aos deuses. E também é profeta, porque o transe e o delírio têm grandes poderes divinatórios.
TABERNEIRO
Ámen!
16/02/14
The Reading
A few weeks ago, I went to a local library to give back some books. The librarian registered them in the computer, almost mechanically, and then took a second look.
– You read poetry!?
– Yes, I do – I replied, afraid that she might send me to a lab somewhere.
– Pardon my surprise, but only a few of our readers appreciate poetry – she smiled and handed me a brochure - Did you know there’s a poetry reading in our auditorium in ten minutes?
She didn’t have to convince me. I went to a coffee shop, ate a chicken patty, drank a coffee and ten minutes later I was at the auditorium. There were a few people in the audience and a man on the stage thanked our presence and started complaining about today publishers who, according to him, were the wall between his poems and the world and spent their lives fighting new poets and stopping their success.
The audience applauded the speech, the man read some poems of his own and I started to empathize a lot with the publishers who refused his manuscripts. Then he asked if anyone in the audience wanted to read some poems. Nobody replied. He insisted. An early twenties girl got up and went to the stage, with more papers in her hand than a social security employee. I was worried about the number of poems she was going to read, but then I realized she only needed that much paper, because each verse had about fifty exclamation points.
She read her poems and I must confess that I learned a lot. For instance, I learned that a sunset is beautiful and orgasmic. How about a sky full of stars and no clouds, do you know how that is? It’s lovely and orgasmic. How about a garden full of red roses? It’s amazing, outstanding, sublime and orgasmic.
The audience applauded, specially two old ladies who seemed amazed with how easy is finding orgasmic things. “Anyone else wants to read a few poems?” Of course not! Nobody could compete with that girl’s verses. “We still have time”, insisted the man. I was about to suggest there was a good poetry section in the library, but the girl said she had a few more poems in her bag and could read them.
“Oh no, the same stuff again”, I thought. But she surprised me. The adjective “orgasmic” was in every poem, but there was a variation in the number of “as”. Some things were “orgasmic”, others were “orgaaaaaaaaaaaaasmic” and others were “orgaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaasmiiiiiiiiiiiiiiiiiic” (yes, there was also a variation of “is”). Sometimes the poems were so good that the number of repeated vowels matched the number of exclamation points.
Half hour later, the librarian came in and said it was time to go. The girl said she had a few more poems, but the woman insisted that they had to close the library. Once again, she didn’t have to convince me. I was the first to leave the room and I still wonder why I waited that long. Maybe I was too shy to leave. Of course that, before I go out, the librarian told me there would be those kinds of readings every week. I smiled and promised to check my schedule. Then, I caught the bus, went to a bookstore and bought enough poetry books to read during the next five years.
10/01/14
Thriller La Fontaine
Talvez só ela soubesse do sucedido.
Era fulcral que só ela soubesse.
Se a descobrissem, estaria tramada.
E se alguém a tivesse visto?
“Sei o que fizeste”, diriam.
“O que fizeste no Inverno passado”.
Mas quem poderia julgá-la?
Aquela cigarra nunca se calava!
No Verão só cantava, nada de trabalhar.
No Inverno só mendigava, nada de cantar.
Era sempre assim!
Já farta, convidou-a para jantar.
Serviu-lhe pão com cogumelos.
Deixou-a estrebuchar.
Enterrou-a no quintal.
(Publicado também aqui e aqui)
A Cigarra, a Formiga (revisitação)
A formiga passava os dias a trabalhar.
A cigarra passava os dias a cantar.
Dias frios.
A cigarra toca à campainha da formiga.
- Vizinha, não há comida na minha casa.
- Trabalhavas para a ganhar?
- Cantava para animar os dias.
A formiga tranca a porta.
Passam vários dias.
A formiga toca à campainha da cigarra.
- Vizinha, não há cantigas na minha casa.
- Não cantas para animar os dias?
O acordo final?
A cigarra vai a casa da formiga.
A formiga dá comida, a cigarra dá cantigas.
(Publicado também aqui)
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