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01/10/15

Crucifixo


à noite
ela desfila com o catecismo
e contornos que apelam ao pecado
apetece tocar-lhe no crucifixo
e saltar do trapézio
para lugares genuínos

(publicado na revista entre letras no primeiro semestre de 2006; versão mirandesa aqui)

11/01/15

Crato e os Ais

O Crato só deseja
Disciplinas fundamentais
Disciplinas essenciais
Disciplinas centrais
A cabeça do Crato
Nunca dará para mais.

(Inspirado pela releitura disto.)

04/09/13

O Especialista

O especialista em negócios na bolsa
Senta-se frente ao computador
Vê as cotações da tua esperança
Dos teus sonhos, da tua dignidade
E decide qual venderá primeiro.


(Versão mirandesa aqui e aqui)

10/06/13

Leonor dos Tempos Precários




Apressada vai para o trabalho
Leonor, com amargura
Competente, mas não segura.

Leva elegância no porte
A mala nas mãos de prata
Fato, camisa e gravata
Vai preocupada com a sorte
Mais branca que a neve pura
Competente, mas não segura

Descobre o cachecol a garganta
Cabelo forte e cuidado
Fita de cor de encarnado
Tão triste que o mundo espanta
Chove nela desgraça tanta
Que pouco lhe vale a licenciatura
Competente, mas não segura.

(A partir da Leonor de Camões)

22/02/13

Folhinha Poética 2013



Amanhã, dia 23 de Fevereiro a partir das 18:30, a Folhinha Poética (agenda com poemas iniciada em 2012) será apresentada no café Madeira Pura (Rua Terreiro do Trigo, nº 72/74, Alfama, Lisboa), com leituras de poemas por parte de todos os que o desejarem.

A Folhinha Poética está publicada na Internet e pode ser descarregada aqui. Para quem o desejar, é possível adquirir a edição em papel por cinco euros durante o sarau de amanhã.

Estão todos convidados a ler o poema que publicaram na Folhinha e/ou outros. As leituras serão gravadas e posteriormente publicadas no blogue do projecto.

A entrada é gratuita.

08/01/13

Come Back


You grew up in a wise uterus
And were born already mature
With your spear and your helmet
But you conquered your power
With sapience and words

With your help Ulysses survived
The thunder, the trident and the swords
Then he embraced the faithful Penelope
And when a new war was arising
You came and imposed Peace

Your nudity blinds
Your hymen is sacred
But once you tied up the sun
To let two lovers sense
The lust of the night

Agamemnon sacrificed his own seed
Clytemnestra fulfilled Cassandra’s prophecy
Orestes drilled the chest that fed him
And was pursuit by his hands’ stain

You came and decided it was time to stop
And taught Democracy and Law
We didn’t learn how much as we should
And what we learned is almost forgotten

Laws are now created by money and weapons
Men adore Ares and the pursuit of gold
Descend from the Olympus, Brave Athena,
And teach us Democracy again

16/11/12

El-Rei D. Dinis na Casa de Mateus


- Ai flores, ai flores, do verde pino,
se sabedes novas do prémio antigo?
           Ai Deus, e u é?

Ai flores, ai flores, do verde ramo,
se sabedes novas do prémio desapoiado?
           Ai Deus, e u é?

Se sabedes novas do prémio antigo,
aquele a que o governo quis dar castigo?
           Ai Deus, e u é?

Se sabedes novas do prémio desapoiado,
aquele que o governo quer ver cancelado?
           Ai Deus, e u é?

- Vós me preguntades pelo prémio antigo
e eu bem vos digo que continuará vivo.
           Ai Deus, e u é?

Vós me preguntades pelo próprio desapoiado
e eu bem vos digo que será continuado.
           Ai Deus, e u é?

E eu bem vos digo que continuará vivo
e será entregue ante o prazo saído.
           Ai Deus, e u é?

E eu bem vos digo que será continuado
e será recebido no prazo acordado.
           Ai, Deus, e u é?

(Publicado também na Escrita Criativa nº 29)

07/10/12

Os Burocratas


Os burocratas fecham-se em gabinetes
Os burocratas nunca olham pela janela
Os burocratas estudam papéis e julgam conhecer o mundo
Os burocratas inventam teorias de gabinete
Os burocratas discutem os arquivos
Os burocratas discutem leis inventam leis passam-nas para o papel
Os burocratas mudam o mundo que não conhecem
E de vez em quando mudam também a disposição dos móveis

(Publicado também na Escrita Criativa nº 28)

27/04/12

Folhinha Poética

Se houve quem dissesse que o mundo acabaria em 2012, houve quem respondesse que o melhor era acabá-lo em poesia. Inspirado nos poemários da Assírio & Alvim, Jorge Amaral de Oliveira lançou mãos à obra e criou uma agenda que junta poemas escritos em várias línguas (português, mirandês, castelhano, francês, crioulo, inglês, grego antigo, etc.), uns da autoria de ilustres desconhecidos, outros de poetas consagrados.

Chegada finalmente a Portugal, a edição em papel da Folhinha Poética será lançada no próximo domingo 29 de Abril de 2012, pelas 18 horas, na livraria Fabula Urbis (Rua de Augusto Rosa, 27, Lisboa). Haverá um pequeno sarau e uma recolha de poemas para a agenda de 2013 (o mundo não acabará este ano e a poesia também não).

Venham ler um poema, cantar, tocar ou dançar! A entrada é livre.